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Pré-diabetes: o que é, sintomas, diagnóstico e como reverter

Por SAMUEL NOBUO SATO as 19:02 - 28/08/2026 Saúde

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Segundo o Portal Hospitais Brasil, a Sociedade Brasileira de Diabetes estima que mais de 40 milhões de pessoas no Brasil convivam com o pré-diabetes, muitas delas sem saber. Isso acontece porque, na maioria dos casos, a condição não provoca sintomas evidentes e pode permanecer silenciosa por anos, aumentando gradualmente o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e outras complicações.

A boa notícia é que o pré-diabetes não é uma condição irreversível. Quando identificada precocemente, é possível reverter a alteração da glicemia ou retardar sua progressão com novos hábitos e, se necessário, tratamento médico.

Neste artigo, explicamos o que causa o quadro, quais são os fatores de risco, como funciona o diagnóstico e as estratégias para recuperar o equilíbrio metabólico. Acompanhe!

O que é pré-diabetes?

O pré-diabetes é uma condição em que os níveis de glicose no sangue ficam acima do normal, mas ainda não alcançam os critérios para o diagnóstico de diabetes tipo 2.

Esse quadro funciona como um sinal de alerta de que o organismo já apresenta dificuldade para controlar a glicemia. Sem mudanças no estilo de vida ou acompanhamento adequado, o risco de progressão para o diabetes aumenta ao longo do tempo.

O que acontece no organismo?

Na maioria dos casos, essa alteração está relacionada à resistência à insulina. Nessa situação, o pâncreas continua produzindo o hormônio, mas as células do corpo deixam de responder a ele de forma eficiente.

Como mecanismo de compensação, o pâncreas passa a produzir mais insulina para manter a glicose sob controle. Com o tempo, esse esforço pode sobrecarregar as células produtoras do hormônio, elevando ainda mais a glicemia e favorecendo a evolução para o diabetes tipo 2.

Leia também: Diabetes Tipo 1 e Tipo 2 — qual a diferença?

Pré-diabetes: causas principais

O pré-diabetes não tem uma causa única. Na maioria dos casos, ele surge como resultado da combinação entre predisposição genética e hábitos de vida, que favorecem o desenvolvimento da resistência à insulina e dificultam o controle da glicose no sangue.

Os principais fatores de risco podem ser divididos em dois grupos:

I. Fatores de risco não modificáveis

São características individuais que não podem ser alteradas, mas ajudam a identificar pessoas que precisam de acompanhamento mais próximo:

II. Fatores de risco modificáveis

Estão relacionados ao estilo de vida e, quando controlados, podem reduzir o risco de progressão para o diabetes tipo 2:

Quanto maior o número de fatores de risco presentes, maior tende a ser a probabilidade de desenvolver pré-diabetes. Por isso, pessoas com um ou mais desses fatores devem realizar acompanhamento médico e exames periódicos, especialmente quando há histórico familiar.

O pré-diabetes pode virar diabetes?

Sim, se não houver intervenção. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, cerca de 25% de quem tem pré-diabetes desenvolve o tipo 2 em três a cinco anos. Esse risco é ainda maior conforme o número de fatores associados.

O agravante é que essa progressão costuma ser silenciosa. Muitas pessoas só descobrem a evolução da glicemia ao realizar um check-up de rotina ou quando as complicações já estão presentes.

Por isso, reconhecer o quadro e agir precocemente é essencial para preservar a saúde metabólica e reduzir esse risco.

Leia também: Resistência à insulina - o que é, sintomas e como tratar

Sintomas de pré-diabetes

Na maioria dos casos, o pré-diabetes não provoca sintomas perceptíveis. Quando aparecem, os sinais costumam ser sutis e facilmente confundidos com outras situações do dia a dia. Entre os mais relatados estão:

  • Acantose nigricante, caracterizada pelo escurecimento e espessamento da pele em regiões de dobra, como pescoço, axilas e virilha (frequentemente associada à resistência à insulina).

  • Cansaço frequente, especialmente após as refeições ou ao longo do dia.

  • Fome excessiva ou dificuldade para sentir saciedade, mesmo após comer.

  • Maior vontade de consumir alimentos ricos em açúcar e carboidratos.

  • Dificuldade de concentração e sensação de “mente lenta”.

  • Visão turva ocasional, relacionada a alterações nos níveis de glicose.

  • Aumento da sede e da frequência urinária, principalmente quando os níveis glicêmicos começam a se elevar mais.

  • Alterações no peso, como ganho associado ao acúmulo de gordura abdominal ou dificuldade para emagrecer.

Como é o diagnóstico de pré-diabetes?

O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue que avaliam os níveis de glicose. Como a condição geralmente provoca sintomas sutis, a investigação laboratorial é o único meio confiável de identificá-la precocemente.

Os principais exames utilizados são:

1. Glicemia em jejum

Mede a concentração de glicose no sangue após pelo menos 8 horas sem comer. É o exame mais simples e acessível para o rastreamento inicial. Os valores de referência são:

  • Normal: abaixo de 100 mg/dL.

  • Pré-diabetes: entre 100 e 125 mg/dL.

  • Diabetes: 126 mg/dL ou mais (confirmado em duas medições).

2. Hemoglobina glicada (HbA1c)

Reflete a média dos níveis de glicose nos últimos dois a três meses e não exige jejum. Por não sofrer variações por refeições ou situações pontuais de estresse, é especialmente útil para acompanhar a evolução do quadro ao longo do tempo. 

Os valores de referência são:

  • Normal: abaixo de 5,7%.

  • Pré-diabetes: entre 5,7% e 6,4%.

  • Diabetes: 6,5% ou mais.

3. Teste oral de tolerância à glicose (TOTG)

Avalia como o organismo processa o açúcar após a ingestão de uma solução padronizada. O procedimento ocorre em duas etapas: uma coleta em jejum e outra após duas horas.

Por ser o exame mais sensível para detectar alterações precoces, costuma ser indicado para pessoas com glicemia em jejum normal, mas com histórico de diabetes gestacional ou outros fatores de risco. 

É considerado pré-diabetes quando o valor após duas horas fica entre 140 e 199 mg/dL.

Quando fazer o rastreamento?

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda o rastreamento para:

  • Todas as pessoas a partir dos 45 anos, mesmo sem sintomas.

  • Pessoas com sobrepeso ou obesidade, em qualquer idade, associadas a pelo menos um fator de risco adicional, como histórico familiar, sedentarismo, hipertensão ou colesterol elevado.

  • Pessoas com histórico de diabetes gestacional ou que tiveram bebês com mais de 4 kg ao nascer.

  • Pessoas com síndrome dos ovários policísticos (SOP).

  • Pessoas que já apresentaram alterações em exames anteriores, mesmo dentro da faixa considerada normal.

Se o resultado for normal, o exame deve ser repetido a cada 1 a 3 anos, dependendo do perfil de risco. Quando há alterações sugestivas, o acompanhamento deve ser mais frequente e sempre orientado pela equipe de saúde.

Leia também: GLP-1 — o que é, como funciona e qual o papel no controle do peso e da glicose

O pré-diabetes tem cura?

Embora o termo “cura” não seja o mais comum para o pré-diabetes, a alteração pode ser revertida. Com a adoção de cuidados consistentes, é possível normalizar a glicemia e evitar o desenvolvimento da doença.

Essa possibilidade é sustentada por evidências. O Diabetes Prevention Program (DPP), um dos principais estudos clínicos sobre prevenção do diabetes, acompanhou mais de 3 mil pessoas com pré-diabetes nos Estados Unidos. 

Os resultados mostraram que medidas como alimentação equilibrada, atividade física regular e perda moderada de peso reduziram em até 58% o risco de desenvolver a doença.

Como reverter o pré-diabetes?

A reversão da condição envolve mudanças no estilo de vida que precisam ser sustentadas ao longo do tempo. As estratégias com maior evidência científica incluem:

1. Adote uma dieta equilibrada

A alimentação para pré-diabetes deve priorizar escolhas que favoreçam o controle da glicemia e sejam sustentáveis no dia a dia. Mais do que eliminar grupos alimentares, o foco está na qualidade dos alimentos, no equilíbrio das refeições e no consumo adequado de fibras, proteínas e carboidratos. Algumas estratégias incluem:

  • Reduzir o consumo de açúcares adicionados, bebidas adoçadas e alimentos ultraprocessados.

  • Priorizar alimentos ricos em fibras, como vegetais, frutas, leguminosas e grãos integrais.

  • Incluir fontes de proteínas e gorduras insaturadas nas refeições.

  • Preferir carboidratos menos refinados e controlar o tamanho das porções.

  • Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.

2. Pratique atividade física regularmente

O exercício físico aumenta a sensibilidade à insulina, favorece a captação de glicose pelos músculos e contribui para o controle do peso. 

A recomendação geral é praticar pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, distribuídos ao longo dos dias.

3. Cuide da qualidade do sono

Dormir pouco ou ter um sono de baixa qualidade pode afetar a regulação da glicose e estar associado ao aumento da resistência insulínica. Manter ciclos do sono de 7 a 9 horas por noite, quando possível, contribui para uma rotina mais saudável.

4. Gerencie o estresse

O estresse prolongado pode interferir na regulação da glicose e dificultar a manutenção de hábitos saudáveis. Estratégias como técnicas de respiração, meditação e momentos de lazer podem ajudar no manejo do estresse e complementar as demais medidas.

Prevenção do diabetes tipo 2: cuide da sua saúde metabólica com as Farmácias Nissei

O pré-diabetes é um sinal de alerta, mas também uma oportunidade de agir antes que alterações na glicemia evoluam para o diabetes tipo 2. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e buscar orientação profissional são atitudes que fazem parte desse cuidado contínuo.

Para complementar esse cuidado no dia a dia, as Farmácias Nissei oferecem produtos que podem complementar o cuidado com a saúde, como vitaminas e minerais, suplementos nutricionais e equipamentos para monitoramento da glicose.

Para conferir as opções disponíveis e encontrar os produtos mais adequados às suas necessidades, acesse o site ou visite a unidade Nissei mais próxima de você!

Leia também: Doenças crônicas — o que são, principais tipos e como prevenir


* As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure orientação de profissional de saúde.

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