GLP-1: o que é e como ajuda no controle do peso
Por SAMUEL NOBUO SATO as 12:37 - 24/07/2026 Saúde
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Nos últimos anos, o GLP-1 passou a ganhar cada vez mais destaque nas conversas sobre saúde, principalmente devido aos avanços no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Com a popularização de medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida, muitas pessoas começaram a buscar informações sobre esse hormônio e seu papel no organismo.
Mas, afinal, o que é o GLP-1? Como ele atua no controle da glicemia, da saciedade e do metabolismo? E qual é a diferença entre o produzido naturalmente pelo corpo e os medicamentos desenvolvidos para reproduzir seus efeitos?
Neste artigo, você vai entender como o GLP-1 funciona, por que ele é tão importante para a saúde metabólica e o que a ciência já sabe sobre sua atuação. Acompanhe!
O que é o GLP-1?
GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições, principalmente aquelas ricas em carboidratos e gorduras. Ele faz parte do grupo das incretinas, substâncias que ajudam a regular a glicemia e participam do equilíbrio do metabolismo.
Embora seja produzido pelo próprio organismo, o GLP-1 permanece ativo por pouco tempo. Isso acontece porque ele é rapidamente “quebrado” pela enzima DPP-4, geralmente em cerca de um a dois minutos após ser liberado.
Essa característica motivou o desenvolvimento de medicamentos capazes de imitar sua ação por um período mais prolongado, como a semaglutida. Justamente graças a essa maior duração no organismo, esses fármacos passaram a ser utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
O que significa GLP-1?
A sigla GLP-1 vem do inglês glucagon-like peptide-1, que pode ser traduzido como “peptídeo semelhante ao glucagon-1”.
Esse nome foi escolhido porque a molécula apresenta semelhanças estruturais com o glucagon (um hormônio produzido pelo pâncreas), embora os dois desempenhem funções distintas no organismo.
Leia também: Semaglutida – o que é, como funciona, indicações e cuidados ao usar o medicamento
Onde o GLP-1 é produzido?
O GLP-1 é produzido principalmente pelas células L, localizadas na porção final do intestino delgado e no cólon. Após a ingestão dos alimentos, elas liberam o hormônio na corrente sanguínea, dando início à sua atuação no metabolismo.
Além do intestino, pequenas quantidades do GLP-1 também são liberadas por neurônios presentes no tronco cerebral. Embora essa produção seja menor, ela reforça a comunicação entre o sistema digestório e o sistema nervoso.
GLP-1 natural x GLP-1 medicamentoso: qual a diferença?
A principal diferença entre o GLP-1 natural e o medicamentoso está no tempo de ação. Enquanto a versão produzida pelo organismo é rapidamente degradada, os fármacos são feitos para permanecer ativos por mais tempo, prolongando seus efeitos.
Conhecidos como medicamentos agonistas de GLP-1, ou agonistas do receptor GLP-1, eles reproduzem a ação hormonal no organismo e são indicados para auxiliar o tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, da obesidade.
Em pacientes com essas condições, a resposta do corpo à substância pode estar reduzida ou ser insuficiente para manter um bom controle metabólico. Nesses casos, o GLP-1 medicamentoso funciona como um complemento ao tratamento, associado a hábitos saudáveis, como dieta equilibrada e prática de atividade física regular.
Leia também: Tirzepatida – guia do medicamento para diabetes e obesidade
Hormônio GLP-1: função no organismo
Antes de entrar nos detalhes de cada mecanismo, é importante entender para que serve o GLP-1 de forma mais ampla: ele ajuda a manter o equilíbrio do metabolismo após as refeições, participando do controle da glicemia, do apetite e de outros processos importantes para o organismo.
Por exercer funções em diferentes sistemas do corpo, o GLP-1 se tornou um dos hormônios mais estudados da medicina e serviu de base para o desenvolvimento de medicamentos que reproduzem sua ação.
Mecanismo de ação do GLP-1: como funciona?
Os efeitos do GLP-1 começam quando ele se liga a receptores específicos presentes em diferentes tecidos corporais. A seguir, entenda melhor como essa ação acontece:
GLP-1 e insulina: qual a relação?
Uma das principais funções do GLP-1 é estimular a liberação de insulina quando os níveis de açúcar no sangue aumentam, como acontece após as refeições. A insulina é o hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células, onde será utilizada como fonte de energia.
Esse mecanismo é chamado de glicose-dependente, pois ele estimula a produção de insulina apenas quando a glicemia está elevada. Além disso, essa característica é o que reduz o risco de hipoglicemia em comparação com outros medicamentos antidiabéticos.
GLP-1 e glucagon: como agem juntos?
Outra frente de ação do GLP-1 é reduzir a liberação de glucagon, hormônio que atua de forma oposta à insulina e estimula o fígado a disponibilizar glicose para o organismo.
Após as refeições, esse mecanismo ajuda a evitar que mais glicose seja liberada na corrente sanguínea em um momento em que o organismo já está absorvendo os nutrientes dos alimentos, favorecendo assim o equilíbrio da glicemia.
Leia também: Tirzepatida, Semaglutida e Liraglutida – quais as diferenças?
GLP-1 e emagrecimento: por que esse hormônio ajuda a perder peso?
Entre os diversos efeitos do GLP-1, um dos mais conhecidos é sua contribuição para o controle do peso corporal. Por esse motivo, medicamentos que reproduzem sua ação são indicados, em situações específicas e com acompanhamento médico, para o tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a outras condições de saúde.
Esse efeito é resultado da sua atuação em diferentes regiões do corpo, que trabalham de forma conjunta para ajudar no controle calórico:
No cérebro: age em regiões responsáveis pela regulação do apetite, reduzindo a sensação de fome e aumentando a saciedade após as refeições.
No estômago: o hormônio desacelera o esvaziamento gástrico, fazendo com que os alimentos permaneçam por mais tempo no sistema digestório. Com isso, a sensação de “estômago cheio” dura mais, favorecendo um menor consumo de calorias ao longo do dia.
No comportamento alimentar: estudos clínicos indicam que o GLP-1 também pode reduzir o desejo por alimentos ricos em açúcar e gordura, contribuindo para um controle geral da alimentação.
Agonistas GLP-1: nomes comerciais
No Brasil, existem diferentes medicamentos que atuam nos receptores de GLP-1. Eles variam quanto ao princípio ativo, à frequência de administração e às indicações aprovadas. Entre eles, estão:
Semaglutida: indicada para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em apresentações específicas, para o controle crônico do peso. Entre os nomes comerciais estão Ozempic® e Rybelsus®.
Tirzepatida: agonista dos receptores de GLP-1 e também de GIP, indicada para o tratamento do diabetes tipo 2 e para o controle crônico do peso. É comercializada como Mounjaro®.
Liraglutida: utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e, em apresentações específicas, da obesidade. Está disponível como Xultophy®, Victoza® e Saxenda®.
Dulaglutida: indicada somente para o tratamento do diabetes tipo 2. É comercializada como Trulicity®.
Exenatida: utilizada no tratamento do diabetes tipo 2. No Brasil, é comercializada como Byetta®.
É importante destacar que todos esses medicamentos exigem prescrição médica e têm indicações, contraindicações e perfis de segurança específicos. A escolha entre eles deve ser feita pela equipe médica responsável, com base no histórico clínico de cada pciente.
Leia também: Rybelsus ou Ozempic – qual a melhor opção para você?
Tire suas dúvidas sobre o hormônio GLP-1
Para complementar as informações apresentadas até aqui e te ajudar a compreender melhor o funcionamento do GLP-1, respondemos a seguir às principais dúvidas sobre o hormônio. Confira:
1. É verdade que o GLP-1 protege o coração e os rins?
Sim. Estudos clínicos mostraram que os medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 também podem trazer benefícios para a saúde cardiovascular e dos rins, especialmente em pessoas com o tipo 2 do diabetes.
Ainda assim, esses benefícios variam de acordo com o quadro clínico de cada paciente, por isso a avaliação médica é indispensável para definir a melhor conduta.
2. Quais são os efeitos colaterais mais comuns de quem estimula esse hormônio?
Os efeitos colaterais mais frequentes estão relacionados à ação desses medicamentos sobre o sistema digestório, especialmente por retardarem o esvaziamento do estômago. Entre eles, destacam-se:
vômitos;
sensação de estufamento;
diarreia.
Na maioria dos casos, esses sintomas são leves a moderados e tendem a diminuir nas primeiras semanas, conforme o organismo se adapta ao uso.
3. Quem não pode usar medicamentos agonistas de GLP-1?
Os medicamentos agonistas de GLP-1 são contraindicados em situações específicas. De forma geral, não são recomendados para:
Pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou Síndrome de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (NEM 2).
Gestantes e pessoas em período de amamentação.
Menores de 18 anos (salvo em casos com indicação médica específica para determinadas faixas etárias).
4. Onde comprar medicamentos agonistas de GLP-1?
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* As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure orientação médica ou farmacêutica.