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Dulaglutida: o que é, como funciona e quando usar?

Por SAMUEL NOBUO SATO as 13:30 - 8/05/2026 Saúde

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A dulaglutida é um medicamento da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, que atua de forma semelhante a hormônios do próprio organismo para estimular a liberação de insulina. Indicada principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2, auxilia no controle da glicose e ainda pode proporcionar outros benefícios metabólicos, como a melhora do controle do peso e da qualidade de vida.

Neste artigo, você vai entender o que é a dulaglutida, para que serve e como atua no organismo, além de suas contraindicações e possíveis efeitos colaterais. Continue a leitura e confira!

O que é dulaglutida?

A dulaglutida é um medicamento injetável de uso semanal, da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), assim como a semaglutida e a liraglutida.

Esse hormônio é produzido naturalmente pelo intestino após as refeições e ajuda a regular os níveis de glicose no sangue. A dulaglutida reproduz esse efeito no organismo, porém com ação prolongada.

Dulaglutida: mecanismo de ação​

Ao mimetizar a ação do hormônio GLP-1, a dulaglutida atua por meio de três mecanismos principais:

1. Estímulo à liberação de insulina

Ao ser administrada, a dulaglutida atua nos receptores de GLP-1 presentes no pâncreas, favorecendo a liberação de insulina conforme a necessidade do organismo. Ou seja, esse estímulo ocorre principalmente quando a glicose está elevada, contribuindo para evitar picos após as refeições.

2. Redução da liberação de glucagon 

A dulaglutida também atua reduzindo a produção de glucagon, hormônio que estimula o aumento da glicose no sangue. Com isso, contribui para manter os níveis de açúcar mais equilibrados ao longo do dia, inclusive entre as refeições e em períodos de jejum.

3. Retardamento do esvaziamento gástrico 

A dulaglutida desacelera o esvaziamento do estômago, fazendo com que a absorção dos alimentos ocorra de forma mais gradual. Assim, a entrada de glicose na corrente sanguínea ocorre de forma menos brusca, o que favorece o controle glicêmico.

Dulaglutida: para que serve?

A dulaglutida tem diferentes aplicações, mas é indicada para situações específicas. A seguir, estão os principais usos do medicamento:

1. Tratamento do diabetes tipo 2 

O tratamento do diabetes tipo 2 é a principal indicação da dulaglutida. O medicamento costuma ser indicado quando outras terapias, como a metformina, não conseguem manter a glicemia controlada. 

Pode ser utilizado de forma isolada ou em associação com outros antidiabéticos e, além de ajudar a reduzir os níveis de glicose, também contribui para a diminuição da hemoglobina glicada (que indica a média da glicose nos últimos meses).

2. Redução de risco cardiovascular

Além do controle da glicemia, a dulaglutida pode trazer benefícios importantes para pessoas com diabetes tipo 2 que já apresentam doenças cardiovasculares, como infarto, AVC ou angina. 

O estudo REWIND (Researching Cardiovascular Events with a Weekly Incretin in Diabetes) indicou que o uso do medicamento está associado à redução do risco de eventos cardiovasculares graves em pacientes de maior risco. Esse efeito ocorre de forma indireta, ao ajudar a controlar glicose, peso, pressão arterial e inflamação.

Leia também: Doenças cardiovasculares: saúde do coração

Dulaglutida: nomes comerciais​

No Brasil, a dulaglutida é disponibilizada sob o nome comercial Trulicity®, fabricado pela farmacêutica Eli Lilly. Até o momento, não há versões genéricas ou similares no país, já que o medicamento ainda está protegido por patente.

Dulaglutida – Trulicity​®: versões disponíveis no Brasil

O medicamento é oferecido em canetas aplicadoras descartáveis, prontas para uso e destinadas a dose única semanal. As dosagens comercializadas são:

  • caneta injetável (verde): 0,75 mg;

  • caneta injetável (azul): 1,5 mg;

  • caneta injetável (amarela): 3,0 mg.

Dulaglutida: posologia e orientações de uso

A aplicação correta da dulaglutida é essencial para o tratamento funcionar bem e para reduzir efeitos colaterais.

Dose padrão da dulaglutida​

A dulaglutida não possui uma dose única fixa. O tratamento geralmente começa com uma dose mais baixa, que pode ser ajustada gradualmente até alcançar o nível mais adequado. Esse processo, chamado de titulação, busca equilibrar eficácia e tolerabilidade, podendo variar conforme o perfil de cada paciente. 

A seguir, confira o esquema usado na maioria das prescrições:

Etapa

Dose semanal

Duração mínima

Observação

1. Inicial

0.75 mg

4 semanas

Dose de partida para todas as pessoas pacientes.

2. Primeiro aumento

1.5 mg

4 semanas

Aumento padrão para melhorar o controle glicêmico.

3. Segundo aumento

3 mg

4 semanas

Para quem precisa de controle adicional.

4. Dose máxima

4.5 mg

Dose máxima recomendada para pessoas adultas.


Como usar a dulaglutida​ corretamente?

  1. Escolha um dia fixo na semana: aplique sempre no mesmo dia (ex: toda segunda). Isso ajuda a não esquecer.

  2. Aplique na pele (via subcutânea): pode ser na barriga, na coxa ou no braço. Alterne o local a cada aplicação para evitar irritação.

  3. Horário flexível: não precisa tomar junto com as refeições. Use no horário que for mais prático para você.

  4. Guarde na geladeira: mantenha o medicamento refrigerado, longe da luz e do calor excessivo.

  5. Acompanhamento médico: faça consultas regulares para avaliar os resultados e ajustar a dose se necessário.

Leia também: Tirzepatida, Semaglutida e Liraglutida: quais as principais diferenças?

Dulaglutida: efeitos colaterais

É normal que o corpo reaja no início do tratamento com dulaglutida. Os efeitos colaterais mais frequentes incluem:

  • náuseas;

  • diarreia;

  • vômitos;

  • dor abdominal;

  • dor de cabeça;

  • constipação (prisão de ventre);

  • distensão abdominal (inchaço/gases);

  • azia ou refluxo;

  • reação no local da injeção (vermelhidão, coceira, inchaço).

Na maioria das vezes, esses desconfortos diminuem com o passar dos dias, à medida que o corpo se adapta à dulaglutida. Se você perceber algum efeito colateral intenso ou persistente, não hesite em procurar orientação médica.

Dulaglutida: contraindicações

Embora seja indicada para muitas pessoas com diabetes tipo 2, a dulaglutida não é recomendada em algumas situações. Veja os principais casos em que o uso deve ser evitado:

  • Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, devido ao risco de estímulo ao crescimento de células tumorais.

  • Síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM-2), condição associada ao aumento do risco de tumores na tireoide.

  • Diabetes tipo 1, já que o medicamento depende da função residual do pâncreas para atuar.

  • Gestação e lactação, por falta de dados suficientes sobre segurança nesses períodos. 

Tire suas dúvidas sobre a dulaglutida

Para complementar as informações apresentadas até aqui e te ajudar a compreender melhor o funcionamento da dulaglutida, respondemos a seguir às principais dúvidas sobre o medicamento. Confira:

1. Qual a diferença entre liraglutida e dulaglutida​?

A distinção mais relevante entre elas está no esquema de uso. A liraglutida exige aplicação diária, enquanto a dulaglutida é administrada apenas uma vez por semana. 

Apesar disso, ambas pertencem à mesma classe de medicamentos (os agonistas do GLP-1) e apresentam efeitos terapêuticos semelhantes.

2. A dulaglutida precisa de receita​ para ser adquirida?

Sim. Trata-se de um medicamento de venda controlada, cuja dispensação exige apresentação e retenção da receita médica, normalmente dos tipos azul ou amarela. Sem o documento original, a compra não é autorizada em farmácias e drogarias.

3. O que considerar na hora de comprar a dulaglutida: preço médio ou custo-benefício?

Mais do que o valor médio, o ideal é considerar o custo-benefício do tratamento. Alguns fatores ajudam nessa avaliação:

  • Facilidade de uso, já que a aplicação semanal tende a ser mais prática do que a diária.

  • Eficácia no controle da glicemia.

  • Disponibilidade de descontos por meio de programas de laboratórios, convênios ou redes de farmácia.

4. A dulaglutida é um medicamento para emagrecer?

Não diretamente. O medicamento não possui aprovação de órgãos reguladores, como a FDA e a Anvisa, para indicação específica de perda de peso. Ainda assim, em alguns casos, seu uso com esse objetivo pode ocorrer dentro do chamado uso off-label.

Nessa situação, a dulaglutida é utilizada fora das indicações descritas na bula. Por isso, trata-se de uma conduta que deve ser cuidadosamente avaliada, considerando os riscos e benefícios para cada paciente.

5. Existe dulaglutida em comprimido?

Não. A dulaglutida não é comercializada em versão oral. Sua apresentação é exclusivamente injetável, aplicada por meio de canetas pré-preenchidas de uso único.

6. Posso deixar a dulaglutida fora da geladeira depois de usar?

Sim. Depois da primeira aplicação, a caneta pode permanecer em temperatura ambiente, desde que não ultrapasse 30°C, por até 14 dias. Após esse período, ou em caso de exposição a temperaturas superiores, o produto deve ser descartado.

Não é indicado devolvê-la à refrigeração após o início do uso, nem utilizá-la se houver ultrapassado o prazo ou as condições de armazenamento recomendadas. Caso a caneta tenha permanecido fora da geladeira por mais de 14 dias ou tenha sido exposta a temperaturas acima de 30°C, descarte-a e não utilize.

7. Qual vale mais a pena para a dulaglutida: comprar online ou em loja física?

Caso haja indicação médica para o uso da dulaglutida após avaliação clínica, saiba que as Farmácias Nissei contam com uma categoria completa dedicada a medicamentos e produtos voltados ao suporte no controle do diabetes, com diferentes apresentações e marcas para facilitar o acesso ao que foi indicado na sua prescrição.

Tanto no site quanto nas unidades físicas da Nissei, você também encontra diferentes alternativas de medidores e aparelhos, como monitores de glicose, tiras reagentes e lancetas, que podem contribuir para mais praticidade no dia a dia. Confira!

Leia também: Mounjaro ou Wegovy: entenda as diferenças e escolha o melhor para você

MEDICAMENTOS DEVEM SER USADOS SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. SEU USO PODE TRAZER RISCOS. LEIA A BULA. EM CASO DE DÚVIDAS, PROCURE ORIENTAÇÃO MÉDICA OU FARMACÊUTICA. NA PRESENÇA DE ALGUM SINTOMA, REALIZE UMA CONSULTA MÉDICA.


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