Você sabe o que é o TDAH?
Por SAMUEL NOBUO SATO as 18:24 - 26/01/2026 Saúde
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O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica crônica que afeta crianças, adolescentes e pessoas adultas em todo o mundo.
Caracterizado por um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade, seus sintomas se manifestam em diversos contextos, como na escola, no trabalho e nas relações sociais.
Para te ajudar a entender melhor sobre o assunto, falaremos a seguir tudo o que você precisa saber sobre o TDAH: significado, sintomas, tratamentos e muito mais. Continue lendo para conferir!
O que é TDAH?
Antes de mais nada, é importante esclarecer o que significa a sigla TDAH: ela é utilizada para se referir ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. O transtorno tem causas genéticas, portanto, o déficit de atenção é hereditário em muitos casos e surge devido a uma combinação de fatores que afetam a produção de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina.
Normalmente, o TDAH surge na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a vida, gerando dificuldades de foco, organização e controle de impulsos, podendo causar prejuízos significativos se não for tratado corretamente.
Vale mencionar, que o Ministério da Saúde aprovou em 2022, por meio da Portaria Conjunta n.º 14, o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O documento, de caráter nacional, traz critérios de diagnóstico, de inclusão e de exclusão, tratamento e mecanismos de regulação, controle e avaliação.
Quais são os tipos de TDAH e graus de intensidade?
O TDAH não se manifesta de uma única forma, sendo classificado em três apresentações ou tipos principais. Essas categorias dependem da predominância dos sintomas:
1. Apresentação predominantemente desatenta
Anteriormente conhecida como DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção), esta apresentação é caracterizada pela dificuldade em manter o foco, seguir instruções, organizar tarefas e pela frequência de esquecimentos; mas não apresenta os sinais clássicos de hiperatividade e impulsividade de forma significativa.
2. Apresentação predominantemente hiperativa-impulsiva
Nesta forma, os sintomas mais proeminentes são a inquietação motora (dificuldade em ficar parado(a), mexer-se constantemente), a impulsividade (agir sem pensar, interromper as outras pessoas, ter dificuldade em esperar a sua vez) e a necessidade de estar sempre em movimento, como se estivesse “ligado a um motor”. Os traços de desatenção são menos evidentes.
3. Apresentação combinada
Esta é a apresentação mais comum do TDAH. A pessoa manifesta uma quantidade significativa de sintomas tanto do grupo da desatenção quanto do grupo da hiperatividade-impulsividade, atendendo aos critérios para ambos os tipos simultaneamente. Os prejuízos no dia a dia costumam ser acentuados pela combinação das duas esferas de sintomas.
Além dessa distinção, o TDAH é avaliado em diferentes graus de intensidade — leve, moderado ou grave. Essa gradação é fundamental, por refletir o quanto os sintomas impactam o funcionamento social, acadêmico e profissional da pessoa.
TDAH: sintomas mais comuns
Os sintomas e características do TDAH podem afetar o dia a dia em diferentes graus. Eles variam de pessoa para pessoa, no entanto, os principais, que costumam estar presentes na maioria dos casos, incluem:
Desatenção constante.
Dificuldade para finalizar tarefas.
Atenção dispersa e esquecimentos frequentes.
Hiperatividade (mais presente na infância).
Comportamento impulsivo.
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TDAH em crianças: sinais de alerta
Os sinais do TDAH em crianças geralmente aparecem na fase escolar, quando ela precisa se concentrar, obedecer regras e conviver em grupo. Por isso, se atente se a criança:
Distrai-se facilmente.
É inquieta, agitando sempre mãos e pés.
Tem dificuldade para seguir instruções.
Evita tarefas que exigem esforço mental prolongado.
Esquece detalhes simples.
Interrompe conversas ou responde de forma precipitada.
Atenção: a presença de um ou mais sinais não significa um diagnóstico. Caso note algum sintoma, procure orientação profissional para uma avaliação detalhada.
TDAH em pessoas adultas
Mesmo surgindo geralmente na infância, o transtorno também pode persistir na vida adulta. É comum, casos de pessoas adultas com TDAH e ansiedade, assim como TDAH e depressão.
Frequentemente, as frustrações e o prejuízo funcional causados pelo TDAH não tratado acabam por desencadear ou agravar quadros de ansiedade e depressão. Dessa forma, pessoas adultas com o transtorno podem apresentar sintomas como:
Dificuldade para planejar tarefas.
Foco disperso no trabalho.
Desorganização.
Impulsividade e mudanças de humor.
Esquecimentos frequentes.
Sobrecarga por não definir prioridades
O TDAH tem cura? Como é o tratamento?
Por ser uma condição crônica do neurodesenvolvimento, o TDAH não tem uma cura definitiva. No entanto, existe tratamento para TDAH que permite amenizar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.
A abordagem terapêutica não se baseia em uma única solução, mas sim na combinação de diferentes estratégias, incluindo:
Medicamentos para equilibrar neurotransmissores.
Psicoterapia para desenvolver estratégias comportamentais.
Fonoaudiologia, quando há dificuldades de fala ou escrita.
Orientação e apoio para pais, mães, professores(as) e pessoas responsáveis.
O acompanhamento especializado faz toda a diferença, por ajudar a reduzir os impactos na escola, no trabalho e na vida social, garantindo mais qualidade de vida para quem convive com o transtorno.
4 dicas extras para quem convive com o TDAH
Além de seguir o tratamento indicado pelo(a) profissional de saúde, algumas atitudes do dia a dia podem fazer toda a diferença para quem vive com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH):
Organize sua rotina: use agendas, aplicativos ou quadros de tarefas para lembrar compromissos e dividir grandes tarefas em etapas menores.
Crie ambientes sem distrações: reduza ruídos, notificações de celular e tudo o que pode tirar o foco na hora de estudar ou trabalhar.
Durma bem e cuide da alimentação: boas noites de sono e uma dieta equilibrada ajudam a regular o humor, a atenção e a energia para o dia a dia.
Conte com apoio: converse com familiares, amigos e amigas, professores(as) ou colegas de trabalho. Ter uma rede de apoio faz toda a diferença para lidar com os desafios diários.
Tire suas dúvidas sobre o TDAH
Como vimos, o TDAH é uma condição complexa, cercada por dúvidas, mitos e informações diversas. Desde a diferença entre uma simples distração e um sintoma clínico, passando pelas opções de tratamento até o diagnóstico em pessoas adultas, as perguntas são muitas.
Para te ajudar, respondemos a seguir algumas perguntas frequentes sobre o assunto para desmistificar o transtorno. Confira!
1. Qual é a diferença entre TDAH e TDA?
O TDA (Transtorno de Déficit de Atenção) é uma forma do transtorno que se manifesta sem hiperatividade. A pessoa costuma ter dificuldade de manter o foco, é mais distraída, esquece tarefas ou detalhes, mas não apresenta agitação física evidente.
Já o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) reúne hiperatividade, déficit de atenção e impulsividade como características principais. Por isso, quem tem TDAH costuma ter comportamentos mais agitados, inquietos e pode ter mais dificuldade de controlar impulsos.
2. Existe TDAH sem hiperatividade?
Sim, existe TDAH sem hiperatividade. Como vimos anteriormente, essa é uma das três apresentações oficiais do transtorno, conhecida também como DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção) ou TDA (Transtorno de Déficit de Atenção).
Diferente do estereótipo, a pessoa não apresenta a inquietação motora excessiva. Em vez disso, a “hiperatividade” pode ser mental, com um fluxo constante de pensamentos que dificultam a concentração, sendo muitas vezes descrita como “viver no mundo da lua”.
Por ser menos disruptivo, esse tipo de TDAH leva mais tempo para ser diagnosticado, sendo confundido muitas vezes com desinteresse, preguiça ou ansiedade.
3. TDAH entra como PCD?
Segundo a Agência Câmara de Notícias, o Projeto de Lei 479/25 define a pessoa com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade como uma pessoa com deficiência, uma vez que o TDAH pode causar impactos pessoais, sociais, acadêmicos e profissionais.
No entanto, o projeto ainda está em análise pelas comissões de Saúde; de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Ou seja, para virar lei, a medida precisa ser aprovada pela comissão de deputados(as) e senadores(as).
Dessa forma, atualmente, ainda que o transtorno afete de várias forma a qualidade de vida, a classificação como PCD não é “automática”, ela depende da avaliação da gravidade dos sintomas e do impacto funcional na vida da pessoa portadora. Assim, é necessário ter um laudo médico detalhado para comprovar a condição de deficiência e buscar os direitos correspondentes.
E para auxiliar no tratamento de quem convive com o TDAH, você pode contar com as Farmácias Nissei, que oferece medicamentos para cuidar da saúde e bem-estar de crianças e pessoas adultas. Visite a Farmácia Nissei mais próxima ou confira os produtos disponíveis no site!
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