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Enxaqueca: o que é, causas, sintomas e como tratar?

Por MAYARA SATIRO RODRIGUES as 12:30 - 8/01/2026 Saúde

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Sentir dor de cabeça de vez em quando é algo comum — já que ela pode ser causada por barulhos altos, um impacto leve, calor excessivo ou até por certos alimentos que funcionam como gatilhos. 

Mas, quando essa dor passa do ponto e precisa ser tratada como uma condição médica? Esse é o caso da enxaqueca: uma doença neurológica e crônica, cuja principal característica é a dor de cabeça latejante e persistente.

Segundo a  Organização Mundial da Saúde (OMS), a enxaqueca é a segunda maior causa de incapacidade global e pode comprometer seriamente a qualidade de vida. Isso porque pessoas que convivem com a condição sem tratamento adequado tendem a sofrer com impactos significativos em diversas áreas da vida: social, profissional e até mesmo emocional, devido à frequência e à intensidade das crises.

Para entender mais sobre essa condição, neste artigo, falaremos sobre: o que é a enxaqueca, quais são suas principais causas, sintomas e sinais de alerta, as abordagens terapêuticas mais utilizadas, além de dicas que podem ajudar a aliviar as dores. Vamos lá?

Enxaqueca: o que é?

A enxaqueca é uma condição neurológica, genética e crônica, caracterizada por dores de cabeça intensas e pulsantes, que podem atingir um ou os dois lados da cabeça. Diferente das dores de cabeça comuns — que costumam ser leves a moderadas e atingem qualquer parte da cabeça, a enxaqueca geralmente vem acompanhada de sintomas mais agudos e debilitantes, afetando também outras áreas do corpo.

Segundo um estudo do Instituto WifOR, solicitado pela Fifarma (Federação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica) e compartilhado pela Veja, estima-se que 31,4 milhões de pessoas no Brasil convivem com a doença. No entanto, somente cerca de 40% desses casos são devidamente diagnosticados e tratados.

Vale destacar que a condição é mais comum em pessoas com um sistema nervoso mais sensível. Nessas pessoas, as células nervosas do cérebro são facilmente estimuladas, gerando uma atividade elétrica intensa.

Enxaqueca: causas principais

A enxaqueca acontece devido a um desequilíbrio na química do cérebro, envolvendo alterações nos neurotransmissores, nas substâncias que regulam as funções cerebrais e nos hormônios. 

O principal gatilho é a ativação do nervo trigêmeo (o quinto nervo craniano), que, quando estimulado, libera substâncias que causam a inflamação dos vasos sanguíneos cerebrais — levando a dor lancinante tão característica da enxaqueca.

Atualmente, já se sabe que a enxaqueca tem uma forte influência genética, mas fatores do ambiente — os chamados gatilhos, também têm um papel importante. Esses dois elementos interagem o tempo todo e estão ligados à frequência e intensidade das crises. Os gatilhos podem ser internos ou externos, e entre os mais comuns estão:

1. Predisposição genética

A predisposição genética tem um papel importante no surgimento da enxaqueca. Segundo artigo Unraveling the migraine origin: is it genetics or environmental?”, entre 30% e 60% de pacientes com enxaqueca têm histórico familiar da condição — o que indica que quem possui familiares com o problema tem mais chances de desenvolvê-lo também.

2. Estresse

O estresse desencadeado por situações de alta pressão, seja no trabalho ou na vida pessoal, podem aumentar a tensão muscular e afetar os níveis de neurotransmissores no cérebro, resultando em dores de cabeça intensas. 

3. Alterações hormonais

Flutuações hormonais durante o ciclo menstrual, na gravidez, na menopausa, no uso de contraceptivos hormonais e na terapia de reposição hormonal (TRH), por exemplo, podem impactar os neurotransmissores, afetar os vasos sanguíneos cerebrais e aumentar a sensibilidade do sistema nervoso, intensificando os sintomas da condição.

Leia também: Você sabe o que é andropausa?

4. Dieta

Certos alimentos e bebidas são conhecidos por desencadear enxaquecas em pessoas mais suscetíveis. Entre os principais gatilhos estão alimentos ricos em tiramina, como queijos envelhecidos e vinhos, o consumo excessivo de cafeína e a presença de aditivos alimentares, como glutamato monossódico, nitratos e nitritos.

Enxaqueca: quais os sintomas mais recorrentes?

Reconhecer os sintomas da enxaqueca é fundamental para diferenciá-la de uma dor de cabeça comum e começar o tratamento adequado. Entre os sinais e sintomas mais recorrentes da condição, estão:

  1. Dor pulsante ou latejante, podendo ser de um ou dos dois lados da cabeça.

  2. Sensibilidade à luz (fotofobia).

  3. Sensibilidade ao som (fonofobia).

  4. Sensibilidade a cheiros (osmofobia).

  5. Distúrbios visuais temporários (flashes de luz, pontos cegos, etc.).

  6. Visão turva ou embaçada.

  7. Irritabilidade.

  8. Tontura.

  9. Fadiga.

  10. Náuseas e vômitos.

  11. Dificuldade de concentração.

É importante lembrar que, ao sentir esses sintomas, é essencial procurar orientação médica para um diagnóstico preciso. Somente um(a) profissional pode ajudar a identificar padrões e gatilhos específicos, por meio do histórico clínico e exames, garantindo um tratamento personalizado e eficaz.

Tipos de enxaqueca 

Quando o assunto é enxaqueca, é importante entender que existem diferentes tipos dessa condição, cada um com características e sintomas específicos. Vamos conhecer melhor essas variações a seguir:

1. Enxaqueca sem aura (ou comum)

A enxaqueca sem aura é o tipo mais comum, geralmente afetando somente um lado da cabeça (hemicraniana). O ponto-chave da enxaqueca sem aura é que, ao contrário de outros tipos, não há sintomas neurológicos transitórios, como alterações visuais, sensoriais ou de fala.

Privação, redução ou aumento da quantidade de sono, padrões irregulares nas refeições, estresse físico ou emocional e exercícios físicos exaustivos são somente alguns dos fatores que podem desencadear uma crise desse tipo de enxaqueca.

2. Enxaqueca com aura (ou clássica)

A enxaqueca com aura, por outro lado, é caracterizada pela presença de sintomas neurológicos transitórios que precedem ou acompanham a dor de cabeça. Esses sintomas, conhecidos como “aura”, podem incluir distúrbios visuais como flashes de luz, pontos luminosos e cintilantes, manchas escuras ou linhas em zigue-zague. 

Além disso, podem ocorrer formigamento em membros, dificuldades na fala, zumbido no ouvido e alterações no olfato/paladar. A aura dura geralmente entre 5 e 60 minutos e pode ser debilitante, impactando significativamente as atividades diárias. Após esse tempo, os sintomas tendem a desaparecer e a dor de cabeça característica da enxaqueca começa. 

3. Enxaqueca hemiplégica

A enxaqueca hemiplégica é menos comum e mais complexa. Ela pode simular sintomas de um AVC (Acidentes Vascular Cerebral), como fraqueza muscular unilateral (hemiplegia), alterações sensoriais e visuais, além de dificuldades na fala. Esses sintomas podem surgir antes ou durante a dor de cabeça.

Esse tipo de condição pode ser dividido em dois subtipos: a enxaqueca hemiplégica familiar, que ocorre em famílias com histórico da condição, e enxaqueca hemiplégica esporádica, que surge em pessoas sem histórico familiar, provavelmente devido a mutações genéticas recentes.

4. Enxaqueca crônica

A enxaqueca crônica se manifesta com 15 ou mais dias de dor de cabeça por mês, durante mais de três meses, com pelo menos oito desses dias devem ter características típicas da condição.

Em palavras simples, a enxaqueca crônica é a forma que acontece com mais frequência e que afeta profundamente a qualidade de vida — podendo resultar em faltas frequentes ao trabalho ou à escola, além de prejudicar as relações pessoais e o bem-estar emocional.

5. Enxaqueca retiniana

A enxaqueca retiniana é uma forma rara de enxaqueca que provoca distúrbios visuais temporários em um único olho, diferindo da enxaqueca com aura, que normalmente afeta ambos os olhos.

Os sintomas incluem áreas de luz piscando ou brilhantes, manchas escuras (escotomas negativos) e perda parcial ou total da visão em um olho. A dor de cabeça característica da enxaqueca pode surgir durante ou após os sintomas visuais.

Enxaqueca: como tratar a condição?

Ao receber o diagnóstico de enxaqueca, é fundamental iniciar o tratamento adequado quanto antes para controlar os sintomas incapacitantes da condição. A principal intervenção terapêutica é a medicamentosa, que deve ser sempre prescrita e acompanhada por um(a) médico(a). Ela pode incluir o uso de fármacos como:

  1. Analgésicos: têm como objetivo proporcionar alívio rápido da dor, especialmente se tomados no início da crise.

  2. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): atuam na redução da inflamação e alívio da dor, principalmente em crises leves a moderadas.

  3. Triptanos: específicos para enxaquecas, atuam diretamente nos receptores de serotonina e promovem a contração dos vasos sanguíneos cerebrais, aliviando os sintomas. Podem ser administrados por comprimidos, spray nasal ou injeção.

Dicas para aliviar enxaqueca e prevenir novas crises

Você sabia que existem métodos de como evitar enxaqueca de forma natural? É verdade! Compreender como reduzir a frequência e a intensidade das crises pode melhorar bastante a qualidade de vida de quem sofre com essa condição. 

Confira alguns hábitos que podem auxiliar no dia a dia e no controle da sua enxaqueca:

  1. Ajustes na alimentação: mantenha uma dieta equilibrada e evite alimentos que desencadeiam enxaqueca, como chocolate, cafeína e álcool.

  2. Hidratação adequada: beba água regularmente para evitar a desidratação, um gatilho comum.

  3. Rotina de sono consistente: durma entre 8 a 10 horas por noite e tente manter uma rotina com horários regulares.

  4. Gerenciamento do estresse: pratique técnicas ou atividades para aliviar o estresse, como hobbies, um fator significativo para engatilhar as crises.

  5. Monitoramento dos sintomas: criar um diário dos dias em que teve enxaquecas pode ajudar a identificar padrões e gatilhos específicos.  

Tire suas dúvidas sobre a enxaqueca

Agora que já entendemos o que é, as causas, sintomas, tipos e como aliviar a enxaqueca, fica mais fácil identificar a condição. No entanto, algumas dúvidas podem surgir. A seguir, esclarecemos algumas delas:

1. Como saber se tenho dor de cabeça ou enxaqueca?

É comum ter dúvidas se a dor de cabeça é do tipo convencional ou enxaqueca. Nesse sentido, observar a intensidade, a qualidade da dor e os sintomas associados podem ser fatores-chave para diferenciá-las — uma vez que, na enxaqueca, todos esses aspectos são mais intensos e persistentes.

Leia também: Dor de cabeça no inverno é normal, mas pode ser evitada. Saiba o que fazer

2. Uma crise de enxaqueca pode causar AVC?

Depende. Alguns estudos sugerem que pessoas com enxaqueca com aura podem ter um risco aumentado de AVC, mas os mecanismos por trás dessa relação ainda estão sendo investigados, assim como formas de reduzir os riscos associados.

3. A enxaqueca tem cura?

A enxaqueca é uma condição crônica sem uma solução definitiva, mas a realidade é mais complexa. Embora não exista uma cura no sentido convencional, há diversas opções de tratamento que podem, sim, controlar e ajudar na gestão da condição de forma eficaz.


Por ser uma doença que causa sintomas incômodos e pode interferir no dia a dia, buscar um diagnóstico correto e seguir o tratamento adequado com a devida orientação médica é a melhor forma de controlar e prevenir novas crises de enxaqueca.

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