Autoexame de mama: entenda a importância e como realizá-lo
Por SAMUEL NOBUO SATO as 16:41 - 29/04/2026 Saúde
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O câncer de mama é uma das doenças que mais exigem atenção no Brasil, por afetar muitas pessoas que possuem tecido mamário. Segundo o Ministério da Saúde, o país apresenta uma taxa de 66,54 novos diagnósticos a cada 100 mil habitantes — número que reforça o quanto é urgente ampliar o acesso à informação e à prevenção.
A boa notícia é que, quanto mais cedo for identificado, maiores são as chances de recuperação. Entre as formas de cuidado com o corpo, o autoexame de toque se destaca como um gesto simples, mas poderoso, de atenção. Mas como incluí-lo na rotina? E como realizá-lo da forma correta?
Neste artigo, você confere tudo o que precisa saber sobre o autoexame de mama: o que é, qual a importância, benefícios, orientações e formas de incluir esse cuidado na rotina. Acompanhe!
O que é o autoexame de mama?
O autoexame de mama é uma das principais maneiras de detecção de alterações que podem indicar câncer. Ele consiste, basicamente, em observar e tocar as mamas, permitindo que a pessoa conheça seu corpo e identifique qualquer mudança em estágio inicial.
Para que serve o autoexame de mama?
O autoexame é uma prática essencial na prevenção contra o câncer de mama, pois, sendo uma ferramenta de autoconhecimento e conscientização corporal, permite agir cedo e buscar orientação médica (ambulatórios, postos e centros de saúde) quando necessário.
Sua importância se manifesta em dois fatores principais:
Detecção precoce: fazer o autoexame regularmente, ajuda a identificar a doença nos estágios iniciais, aumentando as chances de tratamentos mais eficazes.
Rastreamento: acompanhar a saúde das mamas mesmo sem sinais aparentes, encaminhando para avaliação médica caso surja alguma alteração suspeita.
Câncer de mama: como acontece?
Entender a importância do autoexame de mama é fundamental, mas é igualmente necessário saber o que é o câncer de mama e como a doença se desenvolve no organismo.
Em resumo, o câncer de mama ocorre quando células do tecido mamário começam a se multiplicar de maneira descontrolada, geralmente devido a mutações no DNA.
Com o tempo, essas células podem formar um tumor, que costuma se desenvolver nos ductos (canais que conduzem o leite) ou nos lóbulos (glândulas que produzem leite).
Diferentes fatores de risco podem aumentar a chance dessas alterações acontecerem:
Idade: o risco de desenvolver a doença aumenta com o tempo, sendo maior a partir dos 50 anos, devido ao “acúmulo” de alterações genéticas.
Histórico reprodutivo e hormonal: alguns fatores relacionados ao ciclo menstrual e hormônios podem elevar o risco, como ter a primeira menstruação antes dos 12 anos, entrar na menopausa após os 55 anos e ter tido a primeira gravidez após os 30 anos.
Hereditariedade: alterações genéticas herdadas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2, aumentam a chance de desenvolver a doença, mas somente 5 a 10% dos casos estão relacionados à herança familiar.
Leia também: Mito ou verdade? Câncer é hereditário?
Câncer de mama: estatísticas no Brasil
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2025, o Brasil deve registrar cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama. A grande maioria deles ocorre em mulheres, mas o risco também existe para homens e outras pessoas com tecido mamário. Entre as regiões do país, as principais taxas de incidência estão previstas para o Sul e o Sudeste.
Quando devo fazer o autoexame da mama?
O autoexame de mama é uma prática importante que deve ser realizada uma vez por mês. Para facilitar, uma dica é escolher o período mais adequado conforme o ciclo menstrual:
Quem menstrua mensalmente: faça o exame 3 a 7 dias após o fim da menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis e inchadas devido à menor influência hormonal.
Quem não menstrua regularmente (menopausa, gestação ou uso contínuo de anticoncepcional): uma boa alternativa é escolher um dia fixo no mês, como todo dia 1º ou dia 15, para criar hábito da regularidade.
Qual a idade ideal para começar?
O autoexame de mama é geralmente recomendado a partir dos 20 anos, quando o corpo já está mais definido após a puberdade. Já o rastreamento clínico e por imagem, como o exame de mamografia, costuma começar aos 40 anos, podendo variar conforme o histórico e as orientações médicas.
O que procurar no autoexame de mama?
Após entender o papel do autoexame no cuidado com a saúde, é hora de conhecer os sinais de alerta que podem indicar alterações. Entre eles, destacam-se:
Alteração na pele da mama: como rugosidade, descamação ou aparência de “casca de laranja”.
Mudanças na cor ou espessura da pele: qualquer alteração visível ou sensível diferente do habitual na região dos seios.
Nódulo nas mamas: alterações repentinas no tamanho ou na simetria dos seios, além da presença de caroços ou nódulos na axila.
Mudanças nos mamilos: retração ou inversão repentina do mamilo, além de sensibilidade incomum ou dor persistente.
Secreção nas mamas: saída espontânea de líquido pelos mamilos, especialmente se sanguinolento ou com aparência incomum.
Leia também: Dicas de Autoestima para Mulheres com Câncer de Mama
Como fazer o autoexame de mama?
O autoexame de mama pode ser feito em três etapas, cada uma em uma posição diferente, para garantir que toda a região das mamas seja observada e palpada com atenção.
A seguir, confira o passo a passo do autoexame de mama, conforme as orientações da cartilha educativa do Ministério da Saúde:
Diante do espelho (observação)
Fique em pé em frente ao espelho e levante os braços acima da cabeça.
Observe atentamente o contorno das mamas, procurando por mudanças na pele, no formato, curvaturas ou retrações.
Depois, abaixe os braços e repare se alguma dessas alterações se torna mais visível.
Durante o banho (palpação em pé)
Com a pele molhada ou ensaboada, levante o braço direito e use a mão esquerda para deslizar suavemente os dedos sobre toda a mama direita, estendendo o movimento até a região da axila.
Em seguida, repita o mesmo procedimento na mama esquerda.
Enquanto faz isso, observe se sente algum nódulo, área endurecida ou sensibilidade diferente do habitual.
Deitada (palpação detalhada)
Coloque um travesseiro sob o ombro esquerdo e apoie a mão esquerda atrás da cabeça.
Com a ponta dos dedos da mão direita, apalpe suavemente toda a parte interna da mama esquerda.
Inverta a posição. Coloque o travesseiro sob o ombro direito, apoie a mão direita atrás da cabeça e repita os movimentos na mama direita.
Com o braço estendido ao lado do corpo, use os dedos da mão oposta para apalpar a parte de fora da mama, indo até a região da axila.
O autoexame substitui a mamografia?
Não, autoexame de mama não substitui a mamografia. Na verdade, ele é um complemento importante — ajuda você a conhecer melhor o seu corpo e a perceber qualquer mudança quanto antes.
A mamografia é um exame de imagem capaz de identificar alterações muito pequenas, como nódulos e microcalcificações, mesmo antes de serem palpáveis, permitindo o diagnóstico precoce do câncer de mama de forma mais eficaz.
Câncer de mama masculino: sinais, prevenção e cuidados
Mesmo sem as mamas desenvolvidas como nas mulheres, os homens também possuem tecido mamário. Dessa forma, o câncer de mama pode, embora raramente, afetar o público masculino.
Estima-se que, ao longo da vida, 1 em cada 800 homens possa desenvolver esse tipo de câncer, segundo a American Cancer Society. Em comparação, no mundo, a doença é mais de 100 vezes mais comum na população feminina do que na masculina.
Como fazer o autoexame de mama masculino?
O autoexame de mama masculino é exatamente igual ao das mulheres, envolvendo observação e palpação regular das mamas. Como os homens têm menos tecido mamário, o processo costuma ser ainda mais simples.
O principal sinal de alerta a ser observado é a presença de um nódulo (caroço), que geralmente é duro, indolor, localizado logo atrás do mamilo e fixo, sem se mover facilmente. Se algum desses sinais for percebido, é importante procurar orientação médica para realizar a avaliação adequada.
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Além de realizar o autoexame de mama mensalmente, é importante adotar hábitos que ajudem a reduzir o risco de desenvolver a doença.
Para apoiar você nesse cuidado com a saúde, as Farmácias Nissei oferecem o programa FarmaClin, que reúne cuidados, vacinas, orientações e exames de triagem realizados pela equipe farmacêutica, facilitando sua rotina e promovendo bem-estar integral.
O programa conta com três níveis de serviços:
Básico: aferição de pressão e aplicação de injetáveis (disponível em todas as unidades).
Intermediário: inclui os serviços básicos, além de colocação de brincos e testes de glicemia.
Avançado: inclui os serviços intermediários, mais análises clínicas e imunizações.
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