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Endometriose: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamentos

Por MAYARA SATIRO RODRIGUES as 3:00 - 19/12/2025 Saúde

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A endometriose é uma condição que afeta muitas mulheres e pode impactar a qualidade de vida de diversas formas, causando dor, inflamação e, em alguns casos, dificultando a gravidez. 

Para te ajudar a entender melhor essa condição, preparamos um guia completo com tudo o que você precisa saber. Continue a leitura para saber mais e tirar suas dúvidas!

O que é endometriose?

A endometriose é uma doença ginecológica crônica na qual o tecido semelhante ao endométrio (que normalmente reveste o interior do útero) cresce fora dele, atingindo áreas como ovários, intestino, bexiga e cavidade abdominal. Esse crescimento anormal pode provocar inflamação, dores intensas e comprometer a fertilidade.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a endometriose atinge entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil. As causas ainda não são totalmente definidas, mas alguns fatores são apontados como possíveis responsáveis: 

  • Menstruação retrógrada.

  • Predisposição genética.

  • Desequilíbrios hormonais.

  • Alterações no sistema imunológico.

Quais são os sintomas de endometriose?

Os sintomas da endometriose podem variar bastante de uma mulher para outra, mas, em muitos casos, são intensos e impactam a qualidade de vida. Os 6 sintomas mais comuns são:

  1. Dismenorreia: a cólica menstrual é muito mais intensa do que a comum, chegando a ser incapacitante em alguns casos, dificultando as atividades do dia a dia durante o período menstrual.

  2. Dor pélvica crônica: além das cólicas, muitas mulheres sentem dores na região pélvica que persistem mesmo fora do ciclo menstrual, o que pode causar desconforto constante.

  3. Dispareunia: dor durante a relação sexual, que pode variar de leve a muito forte, prejudicando o prazer e a intimidade.

  4. Sintomas urinários e intestinais: especialmente no período menstrual, é comum sentir dor ao urinar ou evacuar, além de sangramentos e alterações no funcionamento do intestino, como diarreia ou constipação.

  5. Infertilidade: uma grande parcela das mulheres com endometriose enfrentam dificuldades para engravidar, pois a doença pode afetar a ovulação, a qualidade dos óvulos e a função das trompas.

  6. Sintomas emocionais: a dor crônica e os desafios enfrentados podem levar a quadros de ansiedade, estresse e baixa autoestima, afetando o bem-estar emocional.

Leia também: Dicas para aliviar sintomas da TPM 

Quais os tipos de endometriose?

A endometriose pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da localização e da profundidade com que o tecido semelhante ao endométrio se instala fora do útero. Os principais tipos são: 

1. Endometriose superficial (peritoneal) 

É a forma mais leve da doença, com lesões pequenas, geralmente com até 5 mm de profundidade, que se desenvolvem na superfície do peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal).

2. Endometriose ovariana (endometrioma) 

Esse tipo se caracteriza pela formação de cistos nos ovários, conhecidos como “cistos de chocolate” devido ao conteúdo espesso e escuro. Essa forma pode causar dor intensa e afetar a fertilidade.

3. Endometriose profunda 

Nesse tipo, as lesões invadem estruturas mais profundas do corpo, como bexiga, reto, ligamentos e parede pélvica. Está associada a dores severas e sintomas intestinais e urinários.

4. Endometriose intestinal 

Ocorre quando o tecido endometrial atinge diretamente o intestino, especialmente o reto e o sigmoide. Pode provocar dor ao evacuar, diarreia, constipação e, em alguns casos, sangramento nas fezes — principalmente durante o período menstrual.

Qual a importância do diagnóstico precoce da endometriose?

Quanto mais cedo a endometriose for identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida e a fertilidade. Um dos maiores desafios no enfrentamento da condição é o tempo que se leva até o diagnóstico, em média, entre 7 e 10 anos após o início dos primeiros sintomas. 

Isso acontece porque os sinais muitas vezes são confundidos com cólicas menstruais comuns ou outras condições ginecológicas, retardando o início do tratamento. Por isso, é fundamental se atentar aos sinais do corpo e buscar avaliação médica ao notar qualquer sintoma incomum.

Qual exame detecta endometriose?

Identificar a endometriose nem sempre é simples. O diagnóstico pode ser desafiador e costuma começar com uma avaliação clínica detalhada, considerando os sintomas relatados pela paciente e o histórico menstrual.

A partir dessa primeira análise, o médico ou médica pode solicitar exames específicos que ajudam a confirmar a presença da doença, além de mapear onde estão localizadas as lesões e qual sua profundidade. Os principais exames utilizados nesse processo são:

I. Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal

Esse é um dos exames mais indicados na investigação da endometriose, especialmente quando há suspeita de endometriomas (cistos nos ovários) ou lesões intestinais. Para garantir maior precisão, a paciente faz um preparo prévio com dieta e laxante, que melhora a visualização das estruturas pélvicas profundas durante o exame.

II. Ressonância magnética da pelve

Trata-se de um exame de imagem não invasivo e bastante detalhado, ideal para mapear a endometriose profunda. Ele permite identificar lesões em órgãos como bexiga, intestino e ligamentos pélvicos, contribuindo para um diagnóstico mais preciso e para o planejamento do tratamento.

III. Videolaparoscopia com biópsia

É considerado o exame mais preciso para confirmar o diagnóstico de endometriose. Esse procedimento cirúrgico, minimamente invasivo, permite visualizar diretamente as lesões no interior do corpo. 

Durante a videolaparoscopia, também é possível remover parte dessas lesões e coletar amostras para análise em laboratório, o que ajuda a confirmar o tipo e a extensão da doença com mais segurança.

Tratamentos para endometriose

O tratamento da endometriose pode variar de acordo com diversos fatores, como a intensidade dos sintomas, a idade da paciente, o estágio da doença e o desejo ou não de engravidar. 

O objetivo principal é aliviar a dor, controlar o avanço das lesões e, quando necessário, preservar ou restaurar a fertilidade. As estratégias mais comuns incluem:

Medicamentos para endometriose

Entre os medicamentos mais usados estão os anti-inflamatórios, os contraceptivos hormonais (como pílulas e DIU hormonal) e os agonistas de GnRH, que ajudam a bloquear a produção de estrogênio. A escolha do melhor medicamento para endometriose depende da avaliação profissional.

Cirurgia por videolaparoscopia

Em casos mais graves ou quando o tratamento com medicamentos não é suficiente, a cirurgia por videolaparoscopia pode ser indicada. Essa técnica permite remover as lesões com mais precisão, sendo especialmente recomendada para endometriose profunda ou com grande comprometimento de órgãos.

Outras abordagens: reprodução assistida

Quando a endometriose compromete a fertilidade, é possível recorrer a técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro. Essa alternativa pode ser indicada principalmente para mulheres que desejam engravidar e não conseguiram sucesso 

após outros tipos de tratamento.

Impacto emocional da endometriose

A endometriose não afeta somente o corpo — ela impacta profundamente o estado emocional. Conviver com dores recorrentes, incertezas sobre a fertilidade e até mesmo a demora no diagnóstico pode gerar sentimentos como frustração, angústia e ansiedade

Muitas mulheres relatam sentir que sua rotina, relacionamentos e até planos para o futuro são afetados pela condição. Esses desafios emocionais tornam o suporte psicológico uma parte essencial do tratamento. 

Terapias individuais ou em grupo podem ajudar a lidar com a dor crônica, fortalecer a autoestima e construir estratégias para enfrentar os altos e baixos da jornada com mais equilíbrio. Além disso, contar com uma rede de apoio, entre profissionais de saúde, familiares e amigos(as) faz toda a diferença.

Leia também: Verdade ou mito — anticoncepcionais causam ansiedade?


Tire suas dúvidas sobre a endometriose 

A endometriose ainda levanta muitos questionamentos, especialmente quando o diagnóstico é recente ou os sintomas são intensos. Por isso, respondemos abaixo às dúvidas mais comuns sobre a condição. Confira!

1. Endometriose tem cura?

Não existe uma cura definitiva para a endometriose, por se tratar de uma condição crônica. Mas o tratamento adequado (hormonal, cirúrgico e de suporte) pode controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

2. Quem tem endometriose pode engravidar?

Sim, muitas mulheres com endometriose engravidam de forma espontânea ou com apoio médico. No entanto, é comum enfrentar dificuldades para engravidar em até 40% dos casos. Como parte do tratamento, é possível incluir técnicas de reprodução assistida nos casos indicados

3. O que a endometriose pode causar no corpo ao longo do tempo?

Se não for tratada, a endometriose pode provocar dores crônicas. Em casos mais avançados, pode comprometer o funcionamento de órgãos como o intestino e a bexiga, afetando diretamente a qualidade de vida.

4. Endometriose é o mesmo que mioma?

Não. Embora ambas sejam condições ginecológicas comuns, o mioma é um tumor benigno que cresce na musculatura do útero, enquanto a endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Os sintomas podem se confundir, mas são doenças distintas e com tratamentos diferentes.

5. Endometriose causa dor todo mês?

Nem sempre. A dor pode ocorrer durante a menstruação, mas também em outros momentos do ciclo. Há casos em que a dor é diária ou acontece somente durante relações sexuais, ao urinar ou evacuar. Os sintomas variam bastante de mulher para mulher.


Agora que ficou mais claro o que é a endometriose, os sintomas, tipos e formas de tratamento, é importante lembrar que o acompanhamento médico é essencial para definir o melhor caminho para cada caso.

O diagnóstico precoce com exames adequados e o tratamento personalizado — incluindo medicamentos, cirurgia e apoio multidisciplinar, são fundamentais para preservar a qualidade de vida. 

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Leia também: Menopausa — o que é, sintomas, cuidados e mais! 


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