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Diabetes Tipo 1 e Tipo 2: qual a diferença?

Por SAMUEL NOBUO SATO as 16:33 - 11/05/2026 Saúde

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Será que faz tanta diferença assim saber se o diabetes é tipo 1 ou tipo 2? No fim das contas, diabetes é diabetes, não é? Um problema em que o corpo que não consegue processar a glicose.

Bom, não exatamente.

Entender qual tipo de diabetes você (ou alguém próximo) tem é fundamental para saber o que está acontecendo com o corpo, por que está acontecendo e, o mais importante, como tratar a condição da forma certa. Cada tipo tem suas particularidades que devem ser compreendidas para um tratamento e controle eficaz da doença.

Mas, primeiro, vamos entender o que é a diabetes.

O que é o diabetes

Nosso corpo usa a glicose, um tipo de açúcar, como principal fonte de energia. Esse açúcar vem principalmente da alimentação e da produção feita pelo fígado em momentos necessários para equilibrar os níveis de glicose no sangue. ¹

Uma vez na corrente sanguínea, a glicose fica disponível para todas as outras células do corpo, que a usam para performar todas as suas funções. No entanto, para que a glicose saia do sangue e chegue até as células, o corpo precisa da insulina, um hormônio fabricado pelo pâncreas¹.

A insulina é fabricada por células pancreáticas chamadas de islet cells. Em condições normais, o pâncreas produz insulina na medida certa, ajudando a glicose a entrar nas células e manter os níveis de açúcar equilibrados. ¹

Quando essas células param de funcionar, o corpo deixa de produzir o hormônio corretamente, causando o diabetes.¹

O que caracteriza o diabetes tipo 1?

A principal diferença entre o diabetes tipo 1 e tipo 2 é o motivo pelo qual o pâncreas deixa de produzir a insulina2-3.

O diabetes tipo 1 representa cerca de 8% dos casos e está relacionada a uma resposta autoimune do corpo. Isso significa que o próprio sistema imunológico da pessoa ataca e destrói as islet cells responsáveis pela insulina³.

Sem insulina, a glicose fica no sangue, sem conseguir entrar nas células, causando hiperglicemia, fraqueza, cansaço e outros sintomas².

Por conta da característica autoimune, essa versão da doença costuma aparecer na infância ou adolescência, embora possa surgir em qualquer idade³.

O que é a diabetes tipo 2?

No tipo 2, que representa 90% dos casos, o corpo até produz insulina, mas não o suficiente. Além disso, as células do organismo passam a não responder bem ao hormônio. É o que chamamos de resistência à insulina².

Essa versão da doença se desenvolve ao longo de vários anos e está frequentemente relacionada ao estilo de vida, como sedentarismo e alimentação rica em açúcares e carboidratos³.

Mesmo assim, em ambos os tipos de diabetes o resultado é o mesmo: excesso de glicose no sangue e risco para a saúde. O que muda são as causas, os sintomas e as formas de tratar.1

O que causa diabetes tipo 1 e tipo 2?

Os fatores de risco para diabetes tipo 1 ainda não são totalmente conhecidos. Mas sabe-se que histórico familiar, idade (especialmente infância e adolescência) e fatores genéticos aumentam as chances de desenvolver o tipo 1².

Já no diabetes tipo 2, os fatores de risco estão mais bem definidos²:

  • Pré-diabetes (níveis de glicose no sangue elevados);

  • Excesso de peso, especialmente na região abdominal;

  • Vida sedentária;

  • Idade acima dos 45 anos;

  • Histórico de diabetes gestacional;

  • Ter tido um bebê com mais de 4 kg ao nascer;

  • Histórico familiar de diabetes tipo 2;

  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP);

Além disso, pessoas com diabetes tipo 1 não estão imunes ao tipo 2. De acordo com o cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM 46977), um estilo de vida com uma alimentação desbalanceada e sedentarismo pode levar à pessoa a desenvolver resistência à insulina, obesidade e, por fim, diabetes.

Quais os sintomas da diabetes tipo 1 e tipo 2?

Os sintomas do diabetes tipo 1 costumam surgir de forma rápida. Já no tipo 2, eles aparecem de forma mais lenta e, muitas vezes, passam despercebidos³.

Entre os sinais mais comuns dos dois tipos da doença estão¹:

  • Sede excessiva;

  • Fome frequente;

  • Fadiga;

  • Visão embaçada;

  • Irritabilidade;

  • Vontade de urinar com frequência;

  • Dores de cabeça.

No tipo 2, também podem surgir¹:

  • Infecções recorrentes;

  • Feridas que demoram a cicatrizar;

  • Dormência ou formigamento nas mãos e pés;

  • Problemas nas gengivas;

  • Coceira;

  • Dificuldade de ereção.

Qual o risco da diabetes não tratada?

A longo prazo, as complicações do diabetes tipo 1 e tipo 2 são semelhantes, mas, no curto prazo, o tipo 1 oferece mais riscos imediatos, como a hipoglicemia severa².

Quando não tratada, a diabetes pode causar um acúmulo de glicose no sangue, o que prejudica órgãos vitais como vasos sanguíneos, coração, rins, olhos e nervos, podendo levar à falência dessas estruturas. ¹

Além disso, esse descontrole pode desencadear uma condição grave chamada cetoacidose diabética, um desequilíbrio metabólico que ocorre quando o corpo, sem acesso à glicose, passa a usar gordura como fonte de energia. Isso gera a produção de ácidos chamados cetonas, que se acumulam no sangue e podem levar ao coma e, em casos graves, à morte. ¹

Os principais sintomas da cetoacidose incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, desidratação, sonolência, respiração acelerada e profunda, boca e pele secas, hálito com odor frutado, pulso rápido e pressão arterial baixa.¹

O risco do diabetes para as pernas e pés

Uma das complicações mais comuns e incapacitantes do diabetes é a neuropatia periférica, condição em que os nervos que ligam o cérebro e a medula ao resto do corpo são danificados. Isso acontece porque a glicemia elevada compromete o metabolismo celular e reduz a capacidade do organismo de eliminar radicais livres, afetando especialmente os neurônios.4-5

A neuropatia pode causar perda de sensibilidade, especialmente, como o nome diz, dos membros periféricos: braços, mãos, pernas e pés. Sintomas dessa condição incluem formigamento, dores, diminuição da mobilidade e até isolamento social, afetando de forma profunda a qualidade de vida.4-5

Estima-se que essa complicação seja responsável por cerca de dois terços das amputações não traumáticas, ou seja, aquelas que não são causadas por acidentes ou fatores externos.4

Além disso, o diabetes mal controlado favorece o desenvolvimento da doença arterial periférica, que reduz o fluxo sanguíneo nas extremidades do corpo, como os pés. Quando combinada com a perda de sensibilidade provocada pela neuropatia, essa condição aumenta o risco de lesões que, se despercebidas, evoluem para infecções e podem levar a amputações. 4

Como é o tratamento do diabetes tipo 1

“O diabetes é uma doença sem cura, mas que pode ser controlada de forma muito efetiva com o acompanhamento médico adequado e ajustes no estilo de vida”, afirma o Dr. Jairo Lins Borges.

Por terem causas diferentes, os dois tipos de diabetes também são tratados de formas distintas. No tratamento do diabetes tipo 1 o uso diário de insulina é uma exigência. Isso inclui o controle da alimentação (principalmente carboidratos e açúcares) e o ajuste constante das doses de insulina para manter a glicemia sob controle.³

Como é o tratamento para o diabetes tipo 2

No diabetes tipo 2, o tratamento pode variar. Em casos leves, o controle pode ser feito apenas com mudanças no estilo de vida, como na alimentação, prática de exercícios e controle do peso²,3.

À medida que o tempo passa, o pâncreas pode reduzir ainda mais a produção de insulina, agravando a doença. Nesses casos, o uso de medicamentos orais ou injeções de insulina pode se tornar necessário.

É possível prevenir o diabetes?

Por ser uma doença autoimune e ter causas ainda pouco conhecidas pela medicina, não há formas de prevenir o diabetes tipo 1. ³

O tipo 2, no entanto, pode ser prevenido e até colocado em remissão com mudanças consistentes de hábitos³.

Algumas formas de reduzir o risco incluem³:

  • Manter o peso sob controle;

  • Fazer atividades físicas com regularidade;

  • Comer de forma equilibrada, com menos açúcar e produtos ultraprocessados;

  • Acompanhamento médico contínuo. Mesmo quando a condição não pode ser evitada, “o diagnóstico precoce e o tratamento correto ajudam a manter a qualidade de vida e prevenir complicações”, completa o Dr. Borges.

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Referências

  1. Lucier J, Weinstock RS. Diabetes Mellitus Type 1 [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK507713 Acesso em: 27.06.2025

  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE SECRETARIA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO E DO COMPLEXO ECONÔMICO-INDUSTRIAL DA SAÚDE PORTARIA SECTICS/MS No 7, DE 28 DE FEVEREIRO DE 2024 [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/PCDTDM2.pdf Acesso em: 27.06.2025. 

  3. Diabetes UK. Differences between type 1 and type 2 diabetes. Disponível em: https://www.diabetes.org.uk/diabetes-the-basics/differences-between-type-1-and-type-2-diabetes Acesso em: 27.06.2025

  4. Brasil. Ministério da Saúde. Diabetes (diabetes mellitus) – Complicações [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/assuntos/saude-de-a-az/d/diabetes/complicacoes. Acesso em 24 out. 2025.

  5. Peripheral neuropathy [Internet]. NHS (Reino Unido), 2017. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/Peripheral-neuropathy

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